sábado, 17 de janeiro de 2026

O corcunda de Notre Dame, Victor Hugo

O corcunda de Notre Dame, Victor Hugo


Como é bom ler ou reler Victor Hugo! Mas, não é para elogiar o “monstro sagrado “da literatura francesa que vou escrever esse breve comentário. Aliás, fugirei um pouco de minhas características, para comentar as personagens desse longo e complexo romance, ressaltando que Victor Hugo inicia a história do livro num dia 6 de janeiro de 1482, em Paris. Vamos aos personagens principais. Pierre Gringoire: poeta, pobre, filósofo; é uma das personagens bem construídas do livro: seu discurso para se livrar da forca diante do rei Luís XI é, ao mesmo tempo, hilário e convincente, um dos pontos interessantes do livro. Claude Frollo: é talvez a personagem mais complexa e cheia de contradições, padre erudito e arquidiácono da diocese de Notre Dame, cultua ao mesmo tempo o esoterismo, buscando a pedra filosofal, enquanto nutre uma paixão avassaladora pela jovem Esmeralda; o capítulo em que ele sai, alucinado, pelas ruas de Paris é um dos pontos altos do romance, páginas de grande força dramática; seu fim é trágico. Esmeralda: a jovem cigana ou egípcia (como se dizia na época) de 16 anos que encanta a cidade com sua dança e seus truques com a cabra amestrada de pés dourados, Djali, tem apenas isso: encanto e uma paixão por um soldado chamado Pheobus que é apenas um mulherengo vulgar, que deseja apenas se aproveitar da beleza da garota. Quasímodo: é a personagem mais famosa do livro; um jovem disforme, corcunda e surdo que foi abandonado pela mãe e criado na catedral por Claude Frollo; apaixonado por Esmeralda, tem consciência de suas condições e luta para salvá-la. Gudule, a ex-prostituta que mora no “Buraco dos Ratos”, um cubículo da praça de Grève, e odeia todas as ciganas, especialmente Esmeralda; é a personagem melodramática da trama, pois sua identidade só será revelada quando de seu final trágico. Há muitas outras figuras interessantes no livro; essas, porém, são as que constituem a espinha dorsal da trama. Mas, há ainda duas personagens, que considero as principais: a igreja de Notre Dame e a cidade de Paris. Notre Dame, com suas torres e mistérios, descritos à exaustão por Victor Hugo, ganha vida e palpitação, pois muito da história do livro acontece em seu entornor ou dentro de suas paredes já centenárias, na época. Aliás, conta-se que Victor Hugo escreve esse romance como uma forma de chamar a atenção das autoridade do século XIX para a conservação da catedral, na época quase em ruínas. Por outro lado, a Paris do século XV parece ser a paixão do autor. Reconstituída detalhadamente, através de inúmeras fontes, ele nos leva a flanar pelas ruas, vielas e praças de todos os bairros da cidade, fazendo dela uma personagem fundamental no enredo, com seus habitantes bizarros, suas casas e mansões, seus palácios e igrejas, sem esquecer o rio Sena, que abraça a Cité. Enfim, a história de Esmeralda e seus loucos apaixonados (Frollo e Quasímodo) e sua grande paixão (Phoebus) só ganha em emoção e pinceladas de tragédia nessa cidade medieval e complexa, num dos romances mais importantes da literatura francesa, talvez da literatura mundial, uma história que já faz parte do imaginário ocidental, contada com emoção e perícia por um dos mais brilhantes autores do século XIX. Por isso, repito: é sempre muito bom ler, ou reler, Victor Hugo.

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