O gato que atravessa paredes – uma comédia de costumes, Robert A. Heinlein
Dos chamados “três grandes” da ficção científica de língua inglesa, Arthur C. Clark, Isaac Asimov e Robert A. Heinlein, não havia ainda lido esse último. E a surpresa de “O gato que atravessa paredes”, para mim, foi a constatação de uma ficção quase delirante, irônica e divertida, embora não seja esse um livro fácil de ler. A história de passa em futuros distantes, e eu digo futuros, porque não há exatamente a fixação de um tempo, mas viagens estranhas e extraordinárias no tempo, quando as pessoas podem viver centenas e talvez milhares de anos, em planetas distantes ou aqui na velha Terra ou em Luna/Lua. E é exatamente em Luna onde começa a história do coronel Colin Campbell, conhecido também como Dr. Richard Ames ou como senador Richard Johnson, que não tem um pé, à mesa de um restaurante em companhia de sua provável nova namorada, a pequenina, bela, sensual e enigmática Gwen Novak, quando um estranho se senta à sua frente e lhe diz que ele precisa matar alguém chamado Tolliver, ou ambos morrerão. Esse estranho pedido ocorre logo que Gwen saíra para ir à toalete. Quando, enfim, o estranho se dispõe a lhe entregar uma carteira de identidade e o show na boate começa, surge um ponto negro no peito do estranho, um dardo que explode em seu corpo o mata instantaneamente. Os garçons imediatamente livram-se do corpo. A partir daí, a vida do coronel se transformará numa sucessão incrível de acontecimentos, em que ele é ferido numa briga, levado para um hospital, ganha um pé novo transplantado e viaja no tempo e no espaço, em naves pilotadas por computadores superinteligentes, que a tudo proveem, sempre com sua companheira, Gwen, com quem se casara e de quem pouco sabe, apenas soube que ela tem mais de duzentos anos, apesar da aparência jovem e de toda a sua sensualidade. Entra em contato com uma sociedade que vive num futuro tecnológico, mas também um tanto hedonista, de liberdade sexual, onde há estranhas relações de parentesco e nem ele nem nós, leitores, sabemos muito bem por que o perseguem e por que ele tem sempre que fugir. Enfim, um enredo complexo, mas divertido, em que a ironia do autor nos diverte com os inspirados diálogos de puro non sense, como, aliás, é toda a história, sem dúvida, narrada por uma imaginação extremamente criativa.






