Se um viajante numa noite de inverno, Italo Calvino
Se você veio até este blog e está começando a ler este texto, é porque você é um leitor ou uma leitora voraz. Ou seja, você gosta de livros. Então, vai gostar de ler o livro de que pretendo falar um pouco: Se um viajante numa noite de inverno. E mais: você deve estar familiarizado com vários autores que aparecerão referenciados aqui e são citados pelo autor no livro em questão. Primeiro, não é possível resumir o livro de Calvino, sem tirar o prazer da leitura. Portanto, vou tentar falar dele sem exatamente falar dele, se é que você me entende. Segundo, a surpresa do livro do Calvino é que você, Leitor, e você Leitora, são os protagonistas do livro. Como? Isso você vai descobrir através das inúmeras surpresas que o autor nos traz nesse livro que pode ser definido como um romance caleidoscópico. E tiro essa ideia de um dos “romances” inventados ao decorrer do enredo que é, ao mesmo tempo, complexo e simples, por mais paradoxal que seja. Explico primeiro o caleidoscópio: uma das personagens se diz colecionadora de caleidoscópios, algo inusitado. Explico o paradoxo: perdemo-nos às vezes no cipoal de textos, mas tudo vai-se tornar bastante simples, ou aparentemente simples, no final, quando você, Leitor e Leitora, ficarão muito felizes, talvez como nos contos de “Mil e uma noites”. Há uma outra pista interessante dentro dos textos (inacabados, ouso antecipar) que o autor vai empilhando para nosso deleite e, às vezes, para nos desafiar: é quando ele cita o cãozinho Snoopy que, do alto de sua casinha, pretende sempre começar uma história e não passa da primeira linha: “era uma noite escura e tenebrosa” ... Outra chave do romance, entre várias outras, mas talvez a mais interessante, é Jorge Luis Borges. Se tivesse vivo à época do lançamento e lesse, com seus olhos cegos, o livro de Calvino, certamente o autor argentino se deliciaria e até mesmo imaginaria que esse é um livro que ele gostaria de ter escrito, por gostar de enigmas, por gostar de labirintos, por gostar acima de tudo de livros. E os vários círculos que se vão abrindo ou fechando em dez textos instigantes até nos lembram os círculos não do inferno, mas do purgatório e a ascensão de Dante até o paraíso, quando ele será guiado por sua musa Beatriz e vocês, Leitor e Leitora, também acharão o paraíso (ou não, isso será com vocês). Então, caros Leitor e Leitora, esse é um livro para os que adoram degustar um bom livro, um livro que diverte e, ao mesmo tempo, desfia nosso intelecto e nosso prazer de ler.






