A ilha do dia anterior, Umberto Eco
Um livro excepcional que exige uma leitura lenta e atenta, pois a história é recheada de referências a grandes obras do passado e a praticamente toda a ciência até então conhecida, pois nos leva ao século XVII, na Itália e na França, para narrar a trajetória de um jovem piemontês da pequena nobreza de Monteferrato que, durante uma missão secreta a serviço do cardeal Mazarino, tem seu navio Amarillis naufragado por uma forte tempestade nos mares do Sul. Toda a tripulação do navio desaparece, exceto Roberto, salvo por uma tábua que, depois de muitos dias à deriva, leva-o ao costado de um outro navio, o Daphne. A bordo do Daphne, descobre ser ele uma espécie de navio fantasma: toda a sua tripulação desaparecera (embora vá encontrar um sobrevivente mais tarde), mas repleto de objetos antigos, metais, até aves e animais vivos, tonéis com aguardente e água. Ali sobrevive por algum tempo, quando sua imaginação começa criar um duplo, uma espécie de doppelgänger, mas um “irmão” que o perseguia em Paris, tomando seu lugar, e que está a bordo. Na busca quase insana por esse duplo, encontra, escondido por medo, um padre muito culto, Caspar, que o incentiva a aprender a nadar para conseguir chegar à ilha próxima, onde ele esteve e construiu uma espécie de telescópio. Quando o padre também desaparece, Roberto começa a delirar com o “irmão” e com a mulher a quem amou em segredo, na Paris barroca dos salões e da pequena nobreza do século XVII, criando em sua mente uma espécie de romance dentro do romance, esse último narrado por um escritor onisciente do século XX (o autor, Eco), que teria encontrado os papéis com as anotações do náufrago que deseja encontrar a longitude que lhe permita alcançar a ilha inatingível no dia anterior, pela mudança de fuso horário. Enfim, um romance barroco, longo e complexo, mas extremamente prazeroso de ser lido.






