Uma dobra no tempo, Madeleine L’Engle
Viagens no tempo são uma espécie de obsessão dos escritores de ficção científica. Vencer as distâncias intergaláticas, que se contam por anos luz, incendeia as imaginações e provoca boas histórias. Madeleine L’Engle se aventurou nessa distopia em 1960, e consegue convencer seus jovens leitores (o livro é para um público adolescente) até hoje, já que a “dobra no tempo” não tem nenhuma explicação na história: apenas acontece por obra e graça de três mulheres de outras galáxias, descritas apenas (na tradução para o português) como senhora Quequeé, senhora Qual e senhora Quem que, por acaso, são vizinhas dos três jovens que irão viajar pelo tempo e pelo espaço, para resgatar o pai de dois deles, um cientista que desapareceu a serviço da NASA, que está preso pela matéria escura num planeta perdido de uma galáxia distante. Sobre o enredo, não muito complexo, mas instigante, não há muito mais a falar, sem tirar do leitor as “surpresas” preparadas pela escritora. Tudo se passa em lances de coragem, sorte e um certo cientificismo que não deve se aprofundar em detalhes, para não confundir a cabeça dos pequenos leitores, que devem, sim, se divertir ao acompanhar as peripécias da geniosa Meg, do garoto superdotado Charles e do esperto Calvin. Há também uma mistura de misticismo e religiosidade na aventura dos três, o que, talvez soe estranho aos dias de hoje ou, pelo menos, a mim não agradou. Não é por isso, no entanto, que deixo de recomendar a leitura, como diversão, como introdução ao mundo misterioso da ficção científica e a um certo cientificismo, que pode ser útil para despertar nos jovens o interesse pela ciência.




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