quinta-feira, 9 de abril de 2026

O Verdadeiro Criador de Tudo, Miguel Nicolelis

O Verdadeiro Criador de Tudo, Miguel Nicolelis


Nos últimos 30 anos, a neurociência conseguiu avanços incríveis no estudo do cérebro humano, embora ainda haja muita coisa a ser estudada e descoberta com relação a essa incrível “criação” da evolução. Dentre muitos pesquisadores, sem dúvida Nicolelis tem uma posição de proa. Nesse livro, usa os primeiros capítulos para descrever inúmeras experiências e descobertas não só de suas pesquisas, mas também de outros cientistas, recheando as páginas do livro com descrições que eu, como leigo, tive muita dificuldade de compreender em sua totalidade. Mas essas dificuldades não devem servir de desânimo a qualquer leitor que também não seja versado em neurociência, pois, a partir desses relatos de experiências e teses complexas, o autor nos brinda, na segunda parte do livro, com suas teses sobre a origem e a evolução do cérebro humano, em textos de muita clareza e discernimento. E então, nos leva a uma viagem fantástica aos princípios mais importantes de suas teorias a respeito da capacidade do cérebro humano. É impossível resumir tudo numa resenha como esta, mas vou destacar duas das mais interessantes, pelo menos para mim, de suas teses. A primeira diz respeito à própria organização de nosso cérebro, ou seja, para o autor, ele é composto, a grosso modo, de duas grandes capacidades, que ele chama, a primeira de “capacidade de armazenar e processar conhecimentos”, que seria o seu lado, digamos, “computacional”; a segunda, a capacidade de criação, de imaginação, que levou o ser humano a criar as ciências, as artes, a civilização, enfim, ou seja, seu lado “orgânico”. E isso explica, segundo Nicolelis, por que é impossível que se venha a criar um “cérebro eletrônico” ou uma “inteligência artificial” que possa competir com o cérebro humano, pois lhe faltaria esse lado “orgânico”, a criatividade, a capacidade de criar algo novo a partir do conhecimento obtido: as máquinas só conseguem “processar” a partir do que elas armazenam, não conseguem e não conseguirão jamais inventar algo realmente novo. A segunda tese tem a ver com a capacidade de os cérebros humanos se conectarem no que ele chama de “Brainets”, redes cerebrais conectadas, para, num determinado momento histórico, muitos indivíduos desenvolverem novas ciências, novas ideias que promovem a evolução da sociedade humana. E cita vários exemplos, dando-nos uma verdadeira aula de história, de filosofia, de conhecimento das artes e de várias outras criações magníficas da capacidade humana. Ao final, ainda nos alerta que a capacidade orgânica do cérebro humano pode ser também o fator de “emburrecimento” (termo meu) do gênero humano, ao usar sua capacidade de adaptação às máquinas e, não exatamente, ser dominado por elas, mas se acomodar a não mais criar, ao deixar que elas, as máquinas, façam todo o trabalho. Esse tema e todos os temas do livro são complexos, mas são desenvolvidos ad nauseam. Concluo afirmando que há muito o que ler e aprender e discutir, como resultado da leitura dessa obra inequivocamente provocadora e fundamental para nos colocar a par do que vem sendo descoberto na área da neurociência. E do muito que ainda há para se descobrir.

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