sábado, 20 de junho de 2026

História da Revolução Russa – 2º volume – Tentativa de contrarrevolução, Leon Trotsky

História da Revolução Russa – 2º volume – Tentativa de contrarrevolução, Leon Trotsky


A revolução de fevereiro de 1917 foi vitoriosa na sua finalidade de derrubar o tzarismo, mas o governo provisório liderado principalmente por Kerensky mergulhou em crises e não realizou os ideais das classes populares e, principalmente do bolchevismo, de entregar o poder ao povo. Acabou se aproximando muito mais da burguesia e aliou-se às forças golpistas do ministro da guerra, Kornilov, enquanto a própria guerra contra a Alemanha corroía as finanças do país. A tentativa de golpe de estado burguês ocorreu nas chamadas “jornadas de julho” que só foram esmagadas por incompetência dos golpistas, pelas contradições internas do governo e pela reação do povo e das forças progressistas. A politicagem, no entanto, continuava a pleno vapor dentro do governo provisório, dividido em várias correntes políticas que não se entendiam e disputavam o poder. A burguesia defendia pautas contrarrevolucionárias, defendendo seus privilégios. Nesse estado de conflitos políticos, os bolchevistas, que defendiam a entrega do poder aos sovietes, sofreram um rude golpe: seus líderes foram presos, principalmente Trotsky, enquanto Lenine se mantinha na clandestinidade, perseguido por uma notícia falsa, difundida pela burguesia, que quase liquidou o bolchevismo. As forças reacionárias conseguiram empastelar o principal jornal bolchevista e, donos da imprensa, acusaram os bolchevistas de serem espiões da Alemanha e Lenine, não só de ser espião, mas ser financiado pelo inimigo. A luta para recuperar o prestígio dos bolchevistas e todas as complexas negociações políticas dentro e fora do governo nesse período conturbado são detalhadamente relacionadas, historiadas e comentadas por Trotsky, no seu estilo de ir às minúcias e às entranhas da situação, o que faz que a leitura desse segundo volume exija uma atenção redobrada do leitor, principalmente pelas inúmeras personagens e citações nesse emaranhado de forças políticas de uma sociedade perplexa e complexa, que busca entender o que está acontecendo e realizar o seu destino, que é o ideal bolchevista de entregar o governo ao povo, o que vai acontecer, como todos sabem, somente em outubro. Mas a narrativa dessa revolução ficará para o terceiro volume.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

História da Revolução Russa – 1º volume – A queda do tzarismo, Leon Trotsky

História da Revolução Russa – 1º volume – A queda do tzarismo, Leon Trotsky


Vinha adiando a leitura dos três volumes da história da Revolução Russa, porque achava que iria ser uma leitura complexa, de um intelectual, Trotsky, de estilo rebuscado e baseado em teses complexas. No entanto, embora tenha sido, esse primeiro volume, uma leitura lenta, nele encontrei um estilo bastante agradável, fácil de ler e assimilar. Eu disse fácil? Não é bem assim: o estilo é, sim, fácil, mas estamos diante da narrativa de fatos complexos, a revolução de 1917 que levou ao poder os bolcheviques, na Rússia. E a Rússia não é um país fácil de entender: muitas são as forças que se entrechocam e se entrechocaram desde a primeira tentativa, em 1905, – fracassada – de derrubar o regime comandado por Nicolau II e seu influente curandeiro Rasputin. Os primeiros capítulos do livro traçam uma breve história da Rússia e dos imperadores, situando o leitor no contexto político da corte e do país. Em seguida o autor passa a nos relatar, numa crônica de grande precisão de detalhes, todo o contexto e todas as motivações que levaram à revolução de fevereiro de 1917, quando o poder muda de mãos, não ainda para os bolcheviques, mas para líderes que tinham ligações com a burguesia, o que contrariava imensamente o povo e os soldados que participaram da derrubada do tzarismo (ou czarismo). São relatados todos os movimentos dos partidos, que concorrem entre si; são lembradas todas as ideologias que conviviam nesse tempo confuso e de grande inquietação popular. A chegada de Lenin, pela estação Finlândia de Petrogrado, em 16 de abril de 1917, é uma das páginas mais interessantes do livro, pois o líder bolchevista volta de um longo exílio para unir os bolchevistas e atrair para o partido muitos outros seguidores, já que o bolchevismo ainda era minoria. Prepara-se, então, a tomada do poder pelo povo, o que só vai ocorrer em outubro, dez meses depois da deposição do tzar. Toda a movimentação política e ideológica que leva à revolução ocorre num momento em que a Rússia está envolvida com a primeira guerra mundial, sendo um dos países que formava a chamada Tríplice Entente juntamente com França e o Reino Unido, que combatia a chamada Tríplice Aliança, formada pela Alemanha, o Império Austro-Húngaro e a Itália. E esse fato é um grande complicador para os partidos de esquerda, envolvendo discussões sobre a continuidade da guerra e o interesse do partido no poder de usar a guerra para ampliar os domínios da Rússia, o que a tornaria um estado colonialista. Uma observação importante: citam-se dezenas de personagens que participaram dos eventos de 1917, alguns historicamente conhecidos, mas a maioria só pode mesmo ser lembrada por quem conhece profundamente a história desse momento na Rússia. No entanto, não se preocupe o leitor, já que isso não impede o entendimento dos fatos detalhadamente narrados por Trotsky. Enfim, esse primeiro volume não me assustou e não deve assustar a quem quer que deseje conhecer por dentro um dos acontecimentos mais marcantes da história do século XX.